Sobre


“Recomeçar é Preciso”

Parafraseando o grande Fernando Pessoa chego a esse momento da minha vida cheia de perguntas e vontades novas.

Acredito realmente que a vida é um eterno recomeçar. Todo os dias o Sol se levanta e nos diz isso. Pelo menos para os que param para ouvir. “Ora (direis), ouvir estrelas, certo perdeste o senso”Já dizia Bilac.

Mas o certo é que a vida me trouxe até aqui e quero dividir com todos um pouco da minha história e contribuir, quem sabe, para levantar  astral de alguém ou iluminar ideias.

Para isso quero primeiro declarar os motivos que me fizeram decidir assumir esse canal de comunicação.

Tenho 44 anos, 1,58 de altura ( se é que se pode chamar isso de altura, né? ) e peso, no dia hoje 14.12.14, 92kg.

Até os 30 anos de idade senti as dores de perder os principais personagens que constroem nossos arrecifes emocionais e familiares. Aos 2 anos perdi uma irmã, aos 03 meu Pai… 20 meu melhor amigo e vivi uma sequência de 10 mortes em menos de um mês, 22 meu irmão mais novo com apenas 19 anos de idade, 25 minha avó, 30 minha Mãe.

Opa! Mas isso não é pra deixar ninguém pra baixo não, hein! Muito pelo contrário.

Em consequência dessas e de outras experiências tive duas grandes crises de depressão. Na verdade acho que tenho depressão desde sempre. Lembro-me de falar sozinha e olhar o mundo com melancolia aos 9 anos de idade.

Mas o bicho pegou mesmo em 2003, três anos após a morte da minha Mãe… É, eu demoro pra cair 😉

Tive depressão, crises de ansiedade e um pouco de pânico. Mas meu diagnóstico foi de “depressão leve”. Graças a Deus. Tomei por 6 meses uma dose leve de antidepressivo e contei com o apoio imensurável da minha terapeuta Denyse Moura. 1 ano depois, um afilhado lindo fazendo seu primeiro aniversário e um namoro mais que especial chegando ao fim,recebi alta 😀

Mas… Voltei para a mesma rotina de vida.

Trabalhei como produtora e promotora de eventos por 15 anos e vivia uma dualidade cruel. Na rua, trabalho, era assediada por muita gente, descarregava uma bateria de celular por dia – e não era a do Iphone, rsrrsrss. Mas quando chegava em casa, estava só. Morava num apartamento com três quartos, três banheiros, etc…

Um dia Paula Sarmento me deu um toque, ainda quando trabalhávamos no Maceió Fest. “Lane, sai desse apartamento e vai morar num flat, onde tenha muitos solteiros. Você está se trancando numa torre, pensando que está se protegendo. Se liberta, sai dessa prisão, Vai viver a vida”.

Não segui o conselho. E continuei trabalhando. Só trabalhando…

Até que em 2008/2009 fiz uma mudança radical na minha vida profissional e conheci o lado mais perverso do segmento de eventos. *Perdoem-me, não vou entrar em detalhes, essa história envolve muita gente e, já passou.

Mas depois dessa experiência caí na mais longa crise de depressão da minha vida e foi numa tentativa de voltar à tona que na madrugada de 03 de outubro de 2010, criei o que viria se tornar o Espalhaí.com. Na época já tinha o meu blog elzlane.blogspot.com, mas o utilizava como diário. Orientação da minha terapeuta, que diz que tenho “muita história para contar”. Mas queria algo que pudesse atuar como jornalista, que sou, mas quase ninguém sabia. Todos me conheciam como a “Lane do Caveira”. Não que isso não me agrade. Agrada e muito. Foram incríveis os anos de trabalho junto ao querido amigo Augusto Marques. Muitas emoções, como diria o Roberto Carlos. Só era chegada a hora de viver meu sonho primeiro, que nutria desde a minha infância. A certeza que sempre tive… Um dia seria jornalista e iria à Alemanha.

Sei lá por qual motivo… Mas essas duas certezas eu sempre tive. Ainda não fui à Alemanha, mas pretendo resolver isso ano que vem. 😀

Voltando à história.

Me joguei de corpo e alma no novo projeto que me fazia feliz como nunca. Mas… Sempre tem um “mas”, não é mesmo?

Em pouco tempo o perfeccionismo e a neurose por trabalho tiraram a alegria e perdi meu sócio querido, Leo Arcoverde, a quem serei eternamente grata por ter me ajudado naquele momento, mesmo sem saber o quanto eu precisava. Aliás, a lista de anjinhos dessa época é bem longa. Só perde para a que entrou em ação em 2012. Quando eu finalmente caí. E aí, eu caí mesmo.

Tudo começou em fevereiro de 2012, minha rotina estava cada vez mais doentia. Deixei de ser uma pessoa para me tornar um ser virtual, a “Lane do Espalhaí”. Sabia de todas as festas que iriam bombar na cidade, contava o que acontecida na balada antes mesmo da galera chegar em casa. Mas…

Era só o que eu fazia.

Saía à noite para as baladas, sorria e registrava tudo. *Registrava tudo, não vivia nada.

Voltava para casa no auge da noite e ficava até o dia amanhecer publicando textos e fotos no Espalhaí. Dormia até umas 10h e levantava, direto pro computador. Muitas vezes, saía do quarto para o escritório e nem ia até a cozinha comer.

Em fevereiro de 2012, comecei a sentir uma dor na mão direita. “É o esforço da câmera”.

Logo depois doeu o braço esquerdo. “Hummm, deve ser cansaço”.

Passou a doer a mão esquerda. “Uai, mas não uso essa mão para quase nada”.

Comecei a perder agilidade e achei que estava engordando.

Resolvi ir tomar Shake. Pois assim não almoçava sozinha e ainda iria emagrecer.

Foi muito bom. Encontrei amigos e me sentia melhor.

Mas meus pés inchavam cada dia mais.

Procurei um reumatologista para falar da dor nas mãos e ele me receitou um anti-inflamatório e fui fazer acupuntura.

Melhorava, mas continuava inchada e pensando que era gordura.

Como emagrecia por conta da dieta, ia trocando o peso da gordura pelo peso do inchaço.

Até que em 15 de junho de 2012, fui ao café da manhã para a imprensa que o Palato Farol ofereceu para marcar a inauguração.

Naquele dia, entrei no carro tendo que pegar as pernas com as mãos – como fazem os cadeirantes – para poder dirigir. Até brinquei com Amanda “Você confia muito em mim, viu? Para entrar num carro comigo dirigindo nesse estado”.

Durante o café algumas pessoa notaram que eu me movia com dificuldade e falei que era fibromialgia, diagnóstico que eu havia recebido até então.

Voltei para casa, estacionei o carro e soube que não iria dirigi-lo por algum tempo. Estava doente de verdade. Sentia muita dores pelo corpo inteiro, não conseguia me locomover.

Liguei para Fagner Calazans para que me levasse até a acupuntura pois não tinha como dirigir.

Naquela noite dormi com a porta do apartamento aberta e o porteiro de sobre aviso, para que, se eu ligasse do celular ele chamasse ajuda.

Na manhã de 16 de junho, tive que ligar para minha Edjane Mello para que ela viesse, do Feitosa para Ponta Verde, para me ajudar a levantar da cama, pois não conseguia mais levantar sozinha.

Fui para casa dela e na terça-feira, 19 de junho de 2012, fui internada no Hospital do Coração, com o que os médicos chamaram de “descompensação”. Eu era um pacote de sintomas.

Pesava 92 kg, sendo uns 7 de edema. Meus pés pareciam os daquelas mulheres grávidas aos nove meses. Minhas mãos não fechavam de tanto inchaço. Sentia dores por todo corpo. Não fazia mais “xixi”. Durante a primeira noite no hospital tive uma trombose leve na altura do calcanhar.

Foram 16 dias de cuidados e mais de 50 exames.

No dia 06 de julho, depois de passar meu aniversário de 42 anos no hospital, emagrecer uns sete quilos, sendo boa parte deles apenas da eliminação do inchaço que cheguei, recebi alta, ainda sem um diagnóstico preciso do que afinal eu tinha.

Meus exames apontavam para uma doença no colágeno. Mas os números davam metade para Artrite e metade para Lupus.

Permaneci mais dias internada por conta do INR (Quem já teve trombose sabe o que é), que nunca chegava ao nível esperado. Um dia estava abaixo, no acima. Chegou uma hora que eles tiveram que me liberar, mesmo sem o INR está no nível. É que apesar dos exames eu não apresentava nenhuma reação adversa. Como até hoje jamais apresentei. 😀

Mas…

Eu teria que ficar em repouso absoluto em casa, por conta do tal do INR que não ia pro lugar. Aí meus queridos… A porca torceu o rabo.

Nos primeiros dias tudo bem. Cheguei resolvida que iria mudar para casa da minha prima e iria desmontar meu apartamento, afinal eu nem tinha escolha naquele momento. Não tinha a menor condição de morar sozinha.

Mas já no hospital eu tomei a decisão de não moraria mais sozinha e iria desmontar o apartamento grande onde morava e iria procurar outra alternativa.

Juntei todo mundo, vendi o que era pra vender e guardei o que me era importante na casa do meu amigo Elton Daher e fui morar no menor quarto da casa da minha prima, tomando o espaço da minha tia…

E aí vieram os dias mais sombrios… Com a impossibilidade de trabalhar, dirigir meu carro, cuidar das minhas coisas, eu fui entristecendo. Toda semana voltava ao hospital, fazia o INR e via meu médico, e sempre a mesma resposta: “Vamos esperar mais uma semana. Seu INR não está no nível seguro”.

No dia 13 agosto, foi a festa de abertura da TrendHouse, na Associação Comercial. Subi as escadarias apoiada por Amanda. Fiquei o evento todo disfarçando as dores e fragilidade física. Dava uma voltinha, cumprimentava alguém e logo sentava outra vez.

No amanhecer do dia 14, tive o pior momento de toda minha vida. Pela primeira e única vez, acreditei que iria morrer.

Acordei em meio a um estado de alucinação, com muita dor de estômago, ânsia de vômito e a sensação de que me debatia na cama.

Mas eu nem conseguia me levantar direito, como iria me debater?

Na agonia, que parecia como quando você está tendo um pesadelo, eu tentava chamar pela minha tia e meu afilhado, mas ninguém ouvia. Eu pensava que passava das 9h e que eles haviam saído e por tanto eu estava sozinha e ia morrer ali, engasgada, sem poder me levantar da cama.

Graças a Deus minha tia abriu a porta e me socorreu com uma oração e conseguimos chamar minha amiga Gláucia, que me levou à Unimed. Chegando lá foi um sufoco para os enfermeiros me tirassem do carro, pois não aguentava que ninguém tocasse em mim.
Chorava e repetia “Dói moço, você não entende dói…”.

Mas consegui receber atendimento e voltei para casa.

Desse dia por diante entrei numa profunda depressão e cheguei a andar de cadeiras de rodas e ainda tive outras crises de estômago.

Remédios caros, muitas idas aos médicos, que a essa altura eram mais 4: reumatologista, nefrologista, angiologista, oftalmologista, gastro e terapeuta. Ainda tem mais, mas essa lista já dá pra passar o tamanho da bronca. né? 😉

Foram longos dias em que quase todo mundo pensou que eu iria morrer. Digo que só não morri, porquê eu não pensei que fosse morrer. Na verdade eu não pensava em nada. Estava num estado de letargia.

No dia 19 de outubro eu tinha duas consultas, a primeira com minha terapeuta e em seguida com o reumato.

Foi o meu dia D.

Minha terapeuta, que me ama eu sei, olhou em meus olhos e deixou claro que não podia mais fazer nada por mim e que se eu não reagisse imediatamente eu certamente iria morrer.

Sem levantar a cabeça segui para o Dr. Lídio Nunes, meu reumato, e lá, vi lágrimas nos olhos dele.

“Menina, eu tenho que lhe ver toda semana. Cada vez que você vem aqui parece que tem uma doença diferente”.

Eu estava com os braços e as mãos atrofiando. Nessa época tomar banho era um sacrifício, quase não comia, trocava o dia pela noite e esquecia coisas que havia falado há dois minutos. Emagreci 17 quilos, perdi boa parte dos cabelos.

Meu médico me olhou com carinho e disse: “minha querida vamos ter que aumentar a dose de corticoide”.

Eu tomava 10mg e passei a tomar 40.

Mas… No outro dia, eu levantei e fui caminhar. E neste momento tenho que abrir um parentese para agradecer à minha Tia Mãe Jane, que do alto dos seus 60 de poucos anos, foi quem me arrastou para as caminhadas.

Três dias depois já estava no Maceió Shopping trabalhando no Maceió Fashion Design.

Exagerei na dose e não consegui voltar para os outros dias. Mas estava de volta à VIDA!

Daí por diante foi só recuperação e saúde.

Aos poucos fomos diminuindo as doses de corticoide e também dos outros remédios.

Cheguei a tomar mais de 20 comprimidos por dia. Hoje tomos uns 4. 😀

Precisei contar toda essa saga para vocês, porque foi através dela que algo maravilhoso aconteceu na minha vida.

Quando entre pela porta daquele hospital eu era uma pessoa e ao sair já era outra. De lá para cá, mudei mais um bocado e tanto.

E um fato determinante nessa mudança foi um e-mail que recebi no leito do hospital. Claro que eu levei meu computador comigo, né? 😀

Uma breve mensagem que dizia: “Olá Elzlane, Dona Ana quer um orçamento para assessoria de imprensa”.

Hã?!!!

E agora? O que é que eu digo?

Que estou internada no hospital?

Bom, respondi com um orçamento e esperei para ver no que ia dar.

Saí do hospital dia 06 de julho. No dia 26, subi uma escadaria com mais 15 degraus (Nem pensei que tinha tido trombose e que não deveria fazer aquilo) e me tornei a assessora de imprensa da Arezzo e Schutz para Alagoas.

Percebem as datas?

26 de julho assino contrato com Arezzo e Schutz.

13 de agosto, crise de estômago.

19 de outubro estado de quase atrofia e parada renal.

É meus queridos, foi nesse estado que comecei minha história como assessora de imprensa de moda. Algo que nunca imaginei fosse cabível para mim. Sempre vivi de eventos e foi assim que me aproximei da Arezzo, fazendo a assessoria do Forró Fashion Arezzo daquele ano, pouco antes de ir para o hospital.

E foi assim que minha vida encontrou um outro caminho, mais suave, bonito e cheiroso.

Agora meu trabalha era encantar pessoas, cuidar de uma marca com tempo, planejamento. Minha pauta era sempre positiva e meus dias foram ficando assim também.

Em janeiro de 2013 ganhei outro presente, fui escolhida para atender a conta de O Boticário em Alagoas.

Era definitivo, eu tinha me tornado uma assessora de imprensa. Um dos sonhos da minha vida estava se realizando, bem quando eu menos esperava.

De lá para cá muitas outras histórias aconteceram, novos clientes e amigos entraram na minha vida e especialmente uma linda equipe, que me ajuda a trilhar essa nova estrada.

Dois anos e meio depois, cá estamos nós. Recomeçando!

O mercado da comunicação mudou. Melhor, a comunicação mudou e é irremediável.  A tecnologia e o acesso à internet causaram uma ruptura na forma de comunicar e especialmente de fazer jornalismo.

Atenta a isto fui me dedicando ao estudo dessas mudanças e das novas formas de comunicação. E fui me apaixonando pelo universo da moda e da internet.

Em cada convenção das marcas que atendo e diante do conteúdo apresentado, meus antigos pré conceitos em relação ao mundo da moda iam caindo por terra. Fui entendendo a força dessa indústria e a importância enquanto cultura e forma de expressão.

Em paralelo observava o universo local e fui sendo tomada por uma vontade latente de mostrar o que há de bom e bonito na nossa terra, de um jeito leve, mas com conteúdo.

Acredito que as pessoas gostam de sim de conteúdo. * Se você chegou até aqui nesse looooonnnnnnnnnngo texto, também deve acreditar nisso. :)

Focando num universo ainda mais íntimo, olhei para mim. Coisa que nunca tinha feito antes. ***Exagero, né?

Mas tem um bocado de verdade sim. Me acostumei a olhar para as multidões, para as estrelas, cuidar da imagem dos outros e assim, fui me escondendo.

Sou de uma geração que estava entre os Hippies e Work a Holics. E achava lindo os neuróticos por trabalho. Ainda por cima, em algum momento de alguma forma aprendi que era preciso escolher entre ser uma mulher bonita “desejável” ou inteligente e capaz.

Me escondi mais ainda. Coloquei o cérebro em evidência, bastava que admirassem o meu trabalho…

Calma! Eu não vou contar essa parte da história inteira. rsrsrrsrsrss

O que vale mesmo é que agora eu resolvi olhar para mim e ser F E L I Z , como jamais me permiti antes.

E é aí que entra este BLOG!

Ele é a ferramenta que encontrei para colocar em prática esse novo projeto, de olhar para o que é belo, cuidar de mim e informar as pessoas sobre moda, eventos, vida, e tudo que chamar a minha atenção.

o Elzlane.com não é um blog de moda, nem de baladas, nem doença auto imune, etc, etc, etc.

Ele é um canal de comunicação que vai disponibilizar conteúdos do nosso cotidiano sob a ótica de uma jornalista, que já viveu um bocado, mas que ainda que viver muito mais.

Vamos juntos?